quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sotaques, regionalismo e expressão popular

 O Brasil é um país que tem como a sua língua oficial o Português, mas por ser extenso em sua territorialidade há variações da língua por todos os estados. As origens dos sotaques brasileiros estão na colonização do país feita por vários povos em diferentes momentos históricos. O português, como se sabe, imperou sobre os outros idiomas que chegaram por aqui, mas sofreu influências do holandês, do espanhol, do alemão, do italiano, entre outros. Muito se fala da diversidade do Brasil. Somos feitos por muitas influências, tradições, ritmos e cores. Dessa mistura de povos, desenvolvemos diversas variantes regionais. Cada região do País coloriu o idioma lusitano conforme os elementos locais. É só reparar o sotaque e a região para lembrar os vários imigrantes que contribuíram para a história do país. No Sul, os alemães, italianos e outros povos vindos do leste europeu. No Rio Grande do Sul, acrescenta-se a estes a influência dos países de fronteira, de língua espanhola. São Paulo e sua grande comunidade italiana, misturada a pessoas vindas de várias partes do Brasil e do mundo; Pernambuco e os holandeses dos tempos de Mauricio de Nassau. Os exemplos são muitos e provam que os sotaques são parte da história da formação do país. Tem quem se expresse mais lentamente, outros chiam ao pronunciar o S, alguns gostam de arrastar o R, e há aqueles que marcam o seu falar com a mistura de vários sotaques. Há no Brasil alguns mitos sobre a língua portuguesa que são muito bem explorados no livro de Marcos Bagno, preconceito lingüístico, onde ele defende de uma forma surpreendente a língua portuguesa brasileira com suas variações. O mito nº 4 de seu livro diz o seguinte :” As pessoas sem instrução falam tudo errado”, Um grande exemplo que o autor cita para refutar essa ideia, é o fato de que uma característica das pessoas "sem instrução" é trocar o "L" pelo "R". Exemplo: chicrete, praca, broco, pranta. Estudando cientificamen¬te a questão, é fácil descobrir que não estamos diante de um traço de “atraso mental” dos falantes “ignorantes” do português, mas simplesmente de um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria lín¬gua portuguesa padrão. Isso por que muitas palavras do português-padrão eram escritas com R, onde nitidamente deveria ser um L, por exemplo, a palavra cravo era clavu, prata era plata. E nem por isso Luís de Camões, que escreveu ingrês, frauta, frecha em suas obras, e toda a população que acompanhou a formação da língua portuguesa, eram considerados possuidores de um “atraso mental”. O que é realmente ridículo é a maneira como essas diferenças são tratadas, pois não se trata da língua simplesmente, mas sim de quem fala e de onde fala. O preconceito lingüístico é decorrente do preconceito social, e assim como com classes sociais, existe também o preconceito contra a fala característica de algumas regiões Essa diversidade de culturas resulta em um dialeto mesclado, onde se cria mitos de que a língua que uns falam são erradas e outras certas colocando na língua portuguesa um “tabu” que limita os falantes à linguagem padrão, por isso mesmo, não se pode dizer que haja um sotaque mais "correto" que outro. "Quem acha que fala um português sem sotaque, em geral não se dá conta de que também tem o seu próprio, já que ele caracteriza a variação linguística regional, comum a qualquer língua.

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